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I Século - “Todo vocês devem seguir a liderança do bispo, como Jesus Cristo seguiu a do Pai; seguir o presbitério como seguiriam os Apóstolos; reverenciar os diáconos como reverenciariam os mandamentos de Deus. Não permitam que ninguém toque na Igreja, a não ser o bispo ou alguém enviado por ele. Onde está o bispo, é onde o povo deve estar, assim como onde Jesus Cristo está, igualmente está a Igreja Católica. Sem a autorização do bispo, não é permitido batizar ou organizar um culto; mas tudo que ele aprova é também agradável a Deus. Se agirem assim, tudo que fizerem será isento de perigo e válido." - Santo Inácio de Antioquia, (Carta aos Cristãos de Esmirna, 107 D.C.).******* I Século - “Há uma só esposa de Cristo que é a Igreja Católica” - Firmiliano, bispo de Capadócia, (Ep. De Firmiliano nº 14). ******* I Século - “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio, pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a Igreja Católica. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensinos, como os Docetas e Hematistas". - São Clemente - (Stromata 1.7. c. 15). ******* I Século - “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da Igreja Santa e Católica em todo o mundo”. Nessa mesma Epístola se fala de uma oração feita por São Policarpo, na qual ele “faz menção de todos quantos em sua vida tiveram trato com ele, pequenos e grandes, ilustres e humildes, e especialmente de toda a Igreja Católica, espalhada por toda a terra” (c. 8). – Carta da Igreja em Esmirna. ******* I Século - “Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica.” - Santo Inácio de Antioquia (Carta aos Erminenses. 8,2).******* II Século - “Deve-se, entretanto, reconhecer uma só Igreja, disseminada por toda a terra. João também, no Apocalipse, embora escreva só para as sete Igrejas, fala para todas. As cartas a Filemon, Tito e as duas a Timóteo, se bem que tenham sido redigidas por amor (a essas pessoas), não o foram menos para a honra da Igreja Católica e para organização da disciplina eclesiástica. (Cânon de Muratori) ******* II Século - “É necessário que eu tenha em mente a Igreja Católica, difundida desde o Oriente até o Ocidente” São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3). ******* II Século - “Cristo edifica a Igreja sobre Pedro. Encarrega-o de apascentar-lhe as ovelhas. A Pedro é entregue o primado para que seja uma Igreja e uma cátedra de Cristo. Quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual foi fundada a Igreja, não pode pensar em pertencer à Igreja de Cristo". - São Cipriano - (De un. Eccl. cap. IV). ******* III Século - “— Como és chamado? — Cristão. — De que Igreja? — Católica” – Registrado na Ata do martírio de São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga: (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9). ******* III Século - “Como, depois dos Apóstolos, apareceram às heresias e com nomes diversos procuraram cindir e dilacerar em partes aquela que é a rainha, a pomba de Deus, não exigia um sobrenome o povo apostólico, para que se distinguisse a unidade do povo que não se corrompeu pelo erro?... Portanto, entrando por acaso hoje numa cidade populosa e encontrando marcionistas, apolinarianos, catafrígios, novacianos e outros deste gênero, que se chamam Cristãos, com que sobrenome eu reconheceria a congregação de meu povo, se não se chamasse Católica?” (Epístola a Simprônio nº 3). E mais adiante, na mesma epístola: “Cristão é o meu nome; Católica, o sobrenome” (idem nº 4). - São Paciano de Barcelona (morto no ano 392) escreve na epístola a Simprônio. ******* III Século - “Só a Igreja Católica é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” - Lactâncio, convertido ao cristianismo no ano 300 - (Livro 4º cap. III). ******* III Século - “(...) pra dizer a verdade, ela – a Igreja Católica – é a primeira, a única, verdadeira regra de piedade. Sobre o assunto, basta. - Eusébio de Cesaréia" (HE 5,15) ******* IV Século - “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica.” - Santo Agostinho (Contr. Epist. Manichaei. v, 6).******* IV Século - “Pedro é o vértice, o chefe dos Apóstolos" (I Concílio de Nicéia). ******* IV Século - “Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as seitas dos ímpios e as heresias querem coonestar (dar aparência de honesta) com o nome de casa do Senhor às suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a Igreja, mas onde está a Igreja Católica; este é o nome próprio desta Santa mãe de todos nós, que é também a esposa de nosso senhor Jesus Cristo” - São Cirilo de Jerusalém assim instruiu os catecúmenos (Instrução Catequética c. 18; nº 26). ******* IV Século - “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a Católica, e Católica é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos” - Santo Agostinho - “ (Verdadeira religião c 7; nº 12). ******* IV Século - “Aquele que, feito homem, se tornara cabeça e senhor da humanidade, ora resgatou seu povo com seu Sangue, libertou-o, remiu-o e o fez seu. O véu do templo - a antiga aliança - rasgou-se" Papa Leão I (Leão I, Serm., 68, 3). ******* IV Século - “Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica. Um me distingue, o outro me designa. É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos." - São Paciano de Barcelona, (Carta a Sympronian, 375 D.C.).******* IV Século - “Os heréticos condenam-se a si mesmos já que por própria opção abandonam a Igreja, um abandono que, sendo consciente, torna-se sua condenação." - São Jerônimo (Comentários acerca de Titus, 3,10 386 D.C.).******* IV Século - “Aonde está Pedro, aí está a Igreja." - Santo Ambrósio de Milão, (Nos doze Salmos 381 D.C.).******* IV Século - “Um homem Cristão é Católico enquanto vive no corpo; decepado deste, torna-se um herege. o Espírito não segue um membro amputado." - Santo Agostinho.******* IV Século - “A Fé Católica não ensina o que pensávamos que ensinava e A acusávamos inutilmente de fazê-lo". Santo Agostinho, (Confissões, 6,11, 400 D.C.).******* IV Século - “Pelo que foi dito, então, parece-me claro que a verdadeira Igreja, aquela que é realmente antiga, é uma só; e dela participam aqueles que, em acordo com o que foi determinado, são justos... Dessa forma dizemos que em substância, conceito, origem e imanência, antiga, Igreja Católica está só, juntando como o faz na unidade de uma fé que resulta de alianças familiares, - ou melhor dizendo, de uma aliança em eras distintas, pela vontade do DEUS uno e através de um Senhor, - aqueles que já foram escolhidos, aqueles predestinados por DEUS, que sabia desde a crianão do mundo que eles seriam justos. - São Clemente de Alexandria, (Estromata (Miscelânia), 202 A.D.).******* IV Século - “Portanto, a Igreja Católica é a única que retém o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; esta, o domicílio da fé; o templo de DEUS. Quem quer que não entre nela ou não saia daqui é um alienado em termos de esperança de vida e salvação... Porque, , ao contrário disso, todos os vários grupos de hereges têm confiança de que são os Cristãos, e pensam que a Igreja Católica é deles. Que se saiba que a verdadeira Igreja é na qual há confissão e penitência, e que cuida de maneira salutar dos pecados e das mágoas aos quais os fracos na carne estão sujeitos.- Lactantius, (As Instituições Divinas, 304 A.D.) .******* IV Século - “Levemos em conta que a própria tradição, ensinamento e fé da Igreja Católica, desde o princípio, dadas pelo Senhor, foi pregada pelos Apóstolos e foi preservada pelos Pais. Nisto foi fundada a Igreja; e se alguém se afasta dela, não é e nem deve mais ser chamado Cristão." - Santo Atanásio, (Carta a Serapião de Thmuis, 359 D.C.) IV Século - “Eu não deveria acreditar no Evangelho a não ser que este seja movido pela autoridade da Igreja Católica." - Santo Agostinho de Hipona, (Contra a Carta de Mani, 397 D.C.).******* IV Século - “A Igreja é Santa, a Única Igreja, a Verdadeira Igreja, a Igreja Católica, lutando sempre contra todas as heresias. Ela pode lutar, mas não pode ser derrotada. Todas as heresias são expulsas por Ela, como os galhos pendentes são arrancados de uma vinha. Ela permanece presa à sua raiz, em Sua vinha, em Seu amor. As portas do inferno não prevalecerão contra ela" - Santo Agostinho de Hipona, (Sermão aos Catecúmenos sobre o Credo, 6,14, 395 D.C.)*******

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Epístola de Barnabé - Anônimo (séc. II).

Epístola de Barnabé.
Autor: Barnabé Apóstolo.
Tradução: Ivo Storniolo/Euclides M. Balancim
Fonte: Site "Ictis"
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Ícone de São Barnabé, em
SalaminaChipre.

Encontrada nos manuscritos no século passado, no Sinaítico, por Tischendorf, em 1859, e no Gerusolemitano, por Bryennios, em 1875, esta carta não nos fornece o nome de seu autor, nem a data e o local de composição. Foi Clemente de Alexandria quem deu origem à tradição que atribui a autoria desta carta a Barnabé, companheiro e colaborador de São Paulo. Em Stromates 5,63,1-6 e no fragmento Hypotyposes mencionado por Eusébio em História Eclesiástica II,1,4, Clemente diz: “A Tiago, o Justo, a João e a Pedro, o Senhor, após sua ressurreição, transmitiu a gnose, estes a transmitiram aos outros apóstolos e os outros apóstolos aos 70, dos quais um era Barnabé”. A identificação desta carta com o colaborador de São Paulo foi adotada, em seguida, por Orígenes e o argumento aduzido se deve a que a carta fora encontrada entre os escritos do Novo Testamento, nos manuscritos Sinaíticos. Este argumento é responsável, também, pela inclusão da carta entre os livros canônicos, inspirados, por parte de Clemente e Orígenes... Contudo, Eusébio e Jerônimo não aceitam este argumento e excluem a carta dentre os livros inspirados. O ponto de partida para fixação da data da composição desta obra são os capítulos IV e XVI. (...) A carta teria sido escrita durante o período de reconstrução do templo, se pudermos dizer que 16,4 se refere, conforme querem Harnack e Lietzmann, a este fato. Tudo leva a crer que esta é a hipótese mais provável. De fato, evocando Isaías, o autor diz: "Eis que aqueles que destruiram esse templo, eles mesmos o edificarão". E prossegue: "E o que está se realizando, pois, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos.
E agora os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão". Este "é o que está se realizando" e o "agora" dão a impressão de que o autor está bem informado e é contemporâneo aos acontecimentos. Este escrito estaria datado, portanto, em torno dos anos 134-135. A obra está dividida em duas partes bem distintas e muito desiguais. A primeira parte, correspondem os capítulos 2 a 16. O cap. 1 é uma introdução e o cap. 17 se constitui na conclusão desta primeira parte. A segunda parte, correspondem os caps. 18-21. A 1ª parte é doutrinária, dogmática. A 2ª, utilizando a imagem dos "Dois caminhos", transmite ensinamento moral.



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Epístola de Barnabé.
Autor: Barnabé Apóstolo.
Tradução: Ivo Storniolo/Euclides M. Balancim
Fonte: Site "Ictis"



Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Didaquê - Anônimo (séc. I).

Última página do Didaquê
Didaquê.
INTRODUÇÃO.
Didaquê - A Instrução dos Doze Apóstolos
Instrução do Senhor para as nações segundo os Doze Apóstolos.
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Didaquê (Διδαχń em grego clássico) ou Instrução dos Doze Apóstolos, é um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão. Didaquê significa doutrina, instrução. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.

O título lembra a referência de Atos 2,42: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos ...”.

Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C. Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são coesos quanto a origem sendo na Palestina ou Síria.

Quanto a sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito faça menção aos mesmos; mas estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido tais ensinos que resultaram na elaboração do mesmo. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.

O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI ( ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla.

Nos escritos da Didaquê, além da catequese e liturgia cristã, o evangelho de Jesus é recomendado. A Didaquê também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará:


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Cânon de Muratori - Anônimo (séc. II).

Cânon de Muratori.
(Fonte: Agnus Dei).
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O Cânon de Muratori é o documento mais antigo que se tem a respeito do cânon bíblico do Novo Testamento, por ter sido escrito por volta do ano 150, uma vez que cita o nome de Pio, bispo de Roma de 143 à 155, irmão de Hermas, autor de "O Pastor".

Tal documento trata-se de um manuscrito do séc. VIII, cópia do original, descoberto pelo sacerdote italiano Ludovico Antonio Muratori no séc. XVIII.

O manuscrito encontra-se mutilado no início e no fim, mas permite distinguir quatro espécies de livros:
1. Os que são lidos publicamente na Igreja.
2. Os que algumas pessoas querem que sejam lidos publicamente na Igreja.
3. Os que são lidos particularmente.
4. Os que devem ser desprezados.

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Cânon de Muratori.
(Fonte: Agnus Dei).

...aos quais esteve presente e assim o fez1.

O terceiro livro do Evangelho é o de Lucas. Este Lucas - médico que depois da ascensão de Cristo foi levado por Paulo em suas viagens - escreveu sob seu nome as coisas que ouviu, uma vez que não chegou a conhecer o Senhor pessoalmente, e assim, a medida que tomava conhecimento, começou sua narrativa a partir do nascimento de João.

O quarto Evangelho e o de João, um dos discípulos. Questionado por seus condiscípulos e bispos, disse: "Andai comigo durante três dias a partir de hoje e que cada um de nós conte aos demais aquilo que lhe for revelado". Naquela mesma noite foi revelado a André, um dos apóstolos, que, de conformidade com todos, João escrevera em seu nome.

Assim, ainda que pareça que ensinem coisas distintas nestes distintos Evangelhos, a fé dos fiéis não difere, já que o mesmo Espírito inspira para que todos se contentem sobre o nascimento, paixão e ressurreição [de Cristo], assim como sua permanência com os discípulos e sobre suas duas vindas - depreciada e humilde na primeira (que já ocorreu) e gloriosa, com magnífico poder, na segunda (que ainda ocorrerá). Portanto, o que há de estranho que João freqüentemente afirme cada coisa em suas epístolas dizendo: "O que vimos com nossos olhos e ouvimos com nossos ouvidos e nossas mãos tocaram, isto o escrevemos"? Com isso, professa ser testemunha, não apenas do que viu e ouviu, mas também escritor de todas as maravilhas do Senhor.

Os Atos foram escritos em um só livro. Lucas narra ao bom Teófilo aquilo que se sucedeu em sua presença, ainda que fale bem por alto2 da paixão de Pedro e da viagem que Paulo realizou de Roma até a Espanha.

Quanto às epístolas de Paulo, por causa do lugar ou pela ocasião em que foram escritas elas mesmas o dizem àqueles que querem entender: em primeiro lugar, a dos Coríntios, proibindo a heresia do cisma; depois, a dos Gálatas, que trata da circuncisão; aos Romanos escreveu mais extensamente, demonstrando que as Escrituras têm como princípio o próprio Cristo.

Não precisamos discutir sobre cada uma delas, já que o mesmo bem-aventurado apóstolo Paulo escreveu somente a sete igrejas, como fizera o seu predecessor João, nesta ordem: a primeira, aos Coríntios; a segunda, aos Efésios; a terceira, aos Filipenses; a quarta, aos Colossenses; a quinta, aos Gálatas; a sexta, aos Tessalonicenses; e a sétima, aos Romanos. E, ainda que escreva duas vezes aos Coríntios e aos Tessalonicenses, para sua correção, reconhece-se que existe apenas uma Igreja difundida por toda a terra, pois da mesma forma João, no Apocalipse, ainda que escreva a sete igrejas, está falando para todas.

Além disso, são tidas como sagradas uma [epístola] a Filemon, uma a Tito e duas a Timóteo; ainda que sejam filhas de um afeto e amor pessoal, servem à honra da Igreja católica e à ordenação da disciplina eclesiástica.

Correm também uma carta aos Laodicenses e outra aos Alexandrinos, atribuídas [falsamente] a Paulo, mas que servem para favorecer a heresia de Marcião, e muitos outros escritos que não podem ser recebidos pela Igreja católica porque não convém misturar o fel com o mel.

Entre os escritos católicos, se contam uma epístola de Judas e duas do referido João, além da Sabedoria escrita por amigos de Salomão em honra do mesmo.

Quanto aos apocalipses, recebemos dois: o de João e o de Pedro; mas, quanto a este último, alguns dos nossos não querem que seja lido na Igreja.

Recentemente, em nossos dias, Hermas escreveu em Roma "O Pastor", sendo que o seu irmão, Pio, ocupa a cátedra de bispo da Igreja de Roma. É, então, conveniente que seja lido, ainda que não publicamente ao povo da Igreja, nem aos Profetas - cujo número já está completo -, nem aos Apóstolos - por ter terminado o seu tempo.

De Arsênio, Valentino e Melcíades não recebemos absolutamente nada; estes também escreveram um novo livro de Salmos para Marcião, juntamente com Basíledes da Ásia...

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1Certamente, estas palavras finais se referem ao evangelho de Marcos, que não foi testemunha ocular dos acontecimentos, mas que conhecia muito bem os sermões de Pedro por ter sido seu discípulo.

2Ao usar a expressão "por alto" o autor deste escrito está querendo afirmar que Lucas omitiu esses atos por não os ter presenciado ou por não terem ainda ocorrido durante a redação dos Atos dos Apóstolos. No entanto, reconhece tais atos como fidedignos.

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Oração Mariana - Anônimo (séc. II).


Oração Mariana - Séc. II
Por Anônimo
Tradução: d. Estêvão Bettencourt
Fonte: revista Pergunte e Responderemos nº 457
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Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (=Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC).



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Oração Mariana - Séc. II

Por Anônimo
Tradução: d. Estêvão Bettencourt
Fonte: revista Pergunte e Responderemos nº 457

Sob a tua misericórdia nos refugiamos,

Mãe de Deus!

Não deixes de considerar as
nossas súplicas
em nossas dificuldades.

Mas livra-nos do perigo,
única casta e bendita!

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Epístola a Diogneto - Anônimo (séc. II).

Epístola a Diogneto
Epístola a Diogneto.
Autor: Anônimo.
Transmissão: Luiz Fernando Karps Pasquotto.
(Fonte: Agnus Dei).
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Um pagão culto, desejoso de conhecer melhor a nova religião que se espalhava pelas províncias do império romano, impressionado pela maneira como os cristãos desprezavam o mundo, a morte e os deuses pagãos, pelo amor com que se amavam, queria saber: que Deus era aquele em quem confiavam e que gênero de culto lhe prestavam; de onde vinha aquela raça nova e por que razões aparecera na história tão tarde.

Foi para responder a estas e outras questões de igual importância que nasceu esta jóia da literatura cristã primitiva, o escrito que conhecemos como Epístola a Diogneto.

O texto se revela, simultaneamente, como crítica do paganismo e do judaísmo e defesa da superioridade do cristianismo.

Sobre este documento, infelizmente, não se sabe muita coisa. Elementos importantes que ajudam a determinar e caracterizar uma obra, tais como autor, data e local de composição, bem como o destinatário, ficam na sombra. De qualquer maneira trata-se de um documento de primeira grandeza sobre a vida cristã primitiva que merece ser colocado entre as obras mais brilhantes da literatura cristã.

De acordo com os últimos estudos o destinatário mais provável seria o imperador Adriano, que exercia a função de arconte em Atenas desde 112 d.C.




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Epístola a Diogneto.
Autor: Anônimo.
Transmissão: Luiz Fernando Karps Pasquotto.
(Fonte: Agnus Dei).


Exórdio

Excelentíssimo Diogneto,

1. Vejo que te interessas em aprender a religião dos cristãos e que, muito sábia e cuidadosamente te informaste sobre eles: Qual é esse Deus no qual confiam e como o veneram, para que todos eles desdenhem o mundo, desprezem a morte, e não considerem os deuses que os gregos reconhecem, nem observem a crença dos judeus; que tipo de amor é esse que eles têm uns para com os outros; e, finalmente, por que esta nova estirpe ou gênero de vida apareceu agora e não antes. Aprovo este teu desejo e peço a Deus, o qual preside tanto o nosso falar como o nosso ouvir, que me conceda dizer de tal modo que, ao escutar, te tornes melhor; e assim, ao escutares, não se arrependa aquele que falou.

Refutação da idolatria

2. Comecemos. Purificado de todos os preconceitos que se amontoam em sua mente; despojado do teu hábito enganador, e tornado, pela raiz, homem novo; e estando para escutar, como confessas, uma doutrina nova, vê não somente com os olhos, mas também com a inteligência, que substância e que forma possuem os que dizeis que são deuses e assim os considerais; não é verdade que um é pedra, como a que pisamos; outro é bronze, não melhor que aquele que serve para fazer os utensílios que usamos; outro é madeira que já está podre; outro ainda é prata, que necessita de alguém que o guarde, para que não seja roubado; outro é ferro, consumido pela ferrugem; outro de barro, não menos escolhido que aquele usado para os serviços mais vis? Tudo isso não é de material corruptível? Não são lavrados com o ferro e o fogo? Não foi o ferreiro que modelou um, o ourives outro e o oleiro outro? Não é verdade que antes de serem moldados pelos artesãos na forma que agora têm, cada um deles poderia ser, como agora transformado em outro? E se os mesmos artesãos trabalhassem os mesmos utensílios do mesmo material que agora vemos, não poderiam transformar-se em deuses como esses? E, ao contrário, esses que adorais, não poderiam transformar-se, por mãos de homens, em utensílios semelhantes aos demais? Essas coisas todas não são surdas, cegas, inanimadas, insensíveis, imóveis? Não apodrecem todas elas? Não são destrutíveis? A essas coisas chamais de deuses, as servis, as adorais, e terminais sendo semelhante a elas. Depois, odiais os cristãos, porque estes não os consideram deuses. Contudo, vós que os julgais e imaginais deuses, não os desprezais mais do que eles? Por acaso não zombais deles e os cobris ainda mais de injúrias, vós que venerais deuses de pedra e de barro, sem ninguém que os guarde, enquanto fechais à chave, durante a noite, aqueles feitos de prata e de ouro, e de dia colocais guardas para que não sejam roubados? Com as honras que acreditais tributar-lhes, se é que eles têm sensibilidade, na verdade os castigais com elas; por outro lado, se são insensíveis, vós os envergonhais com sacrifícios de sangue e gordura. Caso contrário, que alguém de vós prove essas coisas e permita que elas lhe sejam feitas. Mas o homem, espontaneamente, não suportaria tal suplício, porque tem sensibilidade e inteligência; a pedra, porém, suporta tudo, porque é insensível. Concluindo, eu poderia dizer-te outras coisas sobre o motivo que os cristãos têm para não se submeterem a esses deuses. Se o que eu disse parece insuficiente para alguém, creio que seja inútil dizer mais alguma coisa.

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Martírio de São Policarpo - Anônimo (séc. II).

Martírio de São Policarpo.
Bispo de Esmirna (70 a 155).
Tradução: Ivo Storniolo e Euclides M. Balancin.
Padres Apologistas, Paulus Editora.
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Por volta do ano 400, um autor anônimo se faz passar pelo sacerdote Piônio de Esmirna (morto em 250), escreve uma vida de Policarpo. Embora totalmente lendário, insere nela o texto completo, autêntico, da carta da Igreja de Esmirna endereçada à Igreja de Filomélio, relatando o martírio de Policarpo.

Trata-se de um texto, no gênero literário epistolar, escrito logo depois da morte de Policarpo (+- 150 d.C), endereçado à Igreja de Filomélio. Este é o primeiro texto cristão que descreve o martírio, e também o primeiro a usar este título de "mártir" para designar um cristão morto pela fé. O texto parece ter sofrido influências de narrações semelhantes do judaísmo de II e III Macabeus. Por sua vez, influenciou o desenvolvimento deste gênero literário entre os cristãos, o que fez Renan declarar: "Este belo trecho constitui o mais antigo exemplo conhecido das Atas de martírio. Foi o modelo que se imitou e que forneceu a marcha e as partes essenciais destas espécies de composições"1.

De fato, parece ser um texto tão importante que leva J. Lebreton a afirmar: "O historiador das origens da religião cristã não poderia desejar um texto mais autorizado"2. H. Delehaye destaca o valor histórico deste documento afirmando: "É o mais antigo documento hagiográfico que possuímos e não há uma só voz para dizer que existe outro mais belo. Basta relê-lo e pesar cada frase para se persuadir de que esta narração é a que pretende ser a relação de um contemporâneo que conheceu o mártir, o viu no meio das chamas, tocou com suas mãos os restos do santo corpo"3.

É o segundo texto mais antigo que se verifica o uso da expressão "Igreja católica" pelos cristãos primitivos. O Capítulo 20 nos informa que esta "narração sumária" foi redigida por certo Marcião, um irmão da igreja de Esmirna. O copista que transcreveu a carta foi Evaristo. É de fato, um sumário, se se pensa nos onze mártires que precederam Policarpo.

1Renan, L'Églesie chrétienne, Paris, 1879, p.492
2J. Lebreton, Histoire du dogme de la Trinité, t. II, Paris, 1928, p.200.
3Les passiones des martyrs et les genres littéraires, Bruxelas, 1922, p.12-13.



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Martírio de São Policarpo.
Bispo de Esmirna (70 a 155).
Tradução: Ivo Storniolo e Euclides M. Balancin.
Padres Apologistas, Paulus Editora.

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Atenágoras de Atenas (séc.II)

Sobre a ressurreição dos mortos.
Atenágoras de Atenas (séc.II)
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SOBRE A RESSUREIÇÃO DOS MORTOS

Por Roque Frangiotti

Esquema e conteúdo da obra

O tratado se divide em duas grandes partes: os caps. 1-11 formam a primeira parte e respondem às objeções tradicionais a respeito da ressurreição dos corpos como impossível de se realizar e indigna de Deus; os caps. 12-25 formam a segunda parte e estabelecem a conveniência e a necessidade da ressurreição. O argumento fundamental, entre outros, é que sendo o homem composto de corpo e alma, as duas partes devem ser recompensadas ou punidas juntas. Quatro argumentos vêm reforçar esta fundamentação: nos caps. 12-13, o argumento é o destino do homem criado para viver eternamente. Ora, se não houver ressurreição, não haverá vida eterna. Nos caps. 14-17, usa-se como argumento a natureza humana que compreende dois elementos unidos, a alma e o corpo. Nos caps. 18-23, trata-se do julgamento que deve ser aplicado tanto ao corpo quanto à alma, porque tanto um como o outro deve ser premiado ou castigado. Seria injusto, por exemplo, não premiar o corpo pelas obras boas que o homem realizou com sua colaboração. Finalmente, nos caps. 24-25, Atenágoras emprega o argumento do fim último que não é atingido nesta existência. O homem foi destinado à felicidade eterna, mas esta não é alcançada nesta vida. Logo, tem que haver ressurreição para que esta felicidade possa acontecer. Como se vê, Atenágoras tenta demonstrar a possibilidade e a conveniência da ressurreição fundamentalmente ao nível filosófico sem recorrer às Escrituras e nem mesmo alude à ressurreição de Cristo.

Deve-se observar ainda que a antropologia de Atenágoras é dependente do platonismo. O homem é composto de corpo mortal e alma imortal, embora criada. Na ressurreição, o corpo se conjuga novamente com a alma, que no período que vai entre a morte e a ressurreição, estivera num estado de torpor. A ressurreição reconstrói, portanto, aquela unidade que constitui o verdadeiro homem.


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Sobre a Ressurreição dos mortos.
Atenágoras de Atenas (séc.II).



Sobre a Ressurreição dos Mortos - Primeira Parte
Bispo Atenágoras de Atenas

Tradução: Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin

Fonte: Padres Apostólicos, Volume I, Coleção Patrística. Ed. Paulus

I PARTE: A POSSIBILIDADE DA RESSURREIÇÃO


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Atenágoras de Atenas (séc.II)

Petição em favor dos cristão.
Atenágoras de Atenas (séc.II).
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Estrutura da petição

A Petição está, portanto, assim estruturada: caps. 1- 3 constituem uma introdução contendo a dedicatória e o objetivo da obra. No capo 4, o autor passa a refutar as acusações. A primeira é a de ateísmo. Atenágoras emprega 26 dos 37 capítulos da Petição para refutar esta acusação. Em síntese, ele diz: os cristãos não são ateus, mas adoram o Deus único, criador do universo. O Deus dos cristãos é único, mas, também, trino. No cap., 10, demons- trando racionalmente a unicidade de Deus, busca esclarecer o novo conceito de Deus uno-trino: "O Filho de Deus que é mente (nous)... conjugado com o Logos"."O Espírito Santo flui de Deus... ". OS cristãos não oferecem sacrifícios sangrentos não porque são ateus, mas porque o Deus verdadeiro só aprecia sacrifícios espirituais. Se eles se recusam a cultuar os deuses, é porque os julgam indignos de qualquer espécie de culto. Com moderação, mas com firmeza, Atenágoras diz que estes deuses são simples criaturas e os milagres que lhes são atribuídos são obras do demônio. Os cristãos, ao contrário dos ateus, praticam um culto mais puro, mais elevado e perfeito que os pagãos (caps. 4-30).

Nos caps. 31-34, o autor se empenha em demonstrar que os cristãos não cometem nenhuma imoralidade, nenhum ato incestuoso como se propaga. Ao contrário, interditam até mesmo os pensamentos maliciosos, por temor do castigo divino: "Nós, porém, estamos tão longe de ver isso com indiferença que não nos é lícito sequer olhar com intenção de desejo. (...) Como não acreditar que são castos os que nada podem olhar além daquilo para o qual Deus formou os olhos, isto é, para que fossem nossa luz, aqueles que consideram adultério o olhar com prazer, pois os olhos foram criados para outra finalidade, e os que serão julgados até pelos seus pensamentos?" (cap. 32). Os cristãos guardam, portanto, a castidade matrimonial e estão convencidos da indissolubilidade do matrimônio. Nem mesmo a morte pode dissolver este vínculo, por isso as segundas núpcias, mesmo em caso de viuvez, são consideradas "adultério decente" ou "adultério dissimulado" (cap. 33).

Finalmente, nos caps. 35-36, Atenágoras defende os cristãos contra a acusação de antropofagia. Ao contrário, os cristãos respeitam extremamente a vida humana; fogem dos jogos do circo; condenam o aborto por julgarem- no homicídio, pois o feto é já ser vivo e objeto dos cuidados de Deus. Além do mais, a fé na ressurreição é força que os impede de cometer estes excessos. F. Cayré sintetiza assim esta Apologia: "A apologia de atenágoras é uma das mais belas, por sua alta qualidade literária, pela lealdade na discussão e pela ciência de seu autor. A composição é remarcavelmente clara e metódica, a frase, sempre completa, muito rica em idéias, o raciocínio firme e vigoroso, o estilo preciso e sóbrio, por vezes conciso até à secura. Todo o conjunto deste escrito revela verdadeiro filósofo e mestre que discute segundo as regras. Atenágoras foi principalmente dialético, como Taciano polemista e como Justino, apóstolo. Além disso, tem mais de um ponto de semelhança com Justino, em particular na maneira benevolente com que trata a filosofia e os filósofos, e no comum esforço para aliar a filosofia e a religião" (Patroiogie. Histoire de ia Théoiogie I, Paris, 1947, p. 127.. ).



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Petição em favor dos cristão.
Atenágoras de Atenas (séc.II).

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Boécio (475-524).

Tratado sobre a Trindade.
Boécio (séc VI).
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Introdução.

Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius (Roma, c. 475 a 480 — Pavia, 524), mais conhecido na literatura lusófona por Boécio, foi um filósofo, estadista e teólogo romano que se notabilizou pela sua tradução e comentário do Isagoge de Porfírio, obra que se transformou num dos textos mais influentes da Filosofia medieval europeia. Traduziu, comentou ou resumiu, entre outras obras dos clássicos gregos, para além do Isagoge de Porfírio e do Organon de Aristóteles, vários tratados sobre matemática, lógica e teologia. Notabilizou-se também como um dos teóricos da música da antiguidade clássica greco-latina, escrevendo a obra De institutione musica, também aparentemente com base em antigos escritos gregos. Sendo senador de Roma, no ano de 510 foi nomeado cônsul e em 520 foi elevado a chefe do governo e dos serviços da corte pelo rei ostrogodo Teodorico o Grande. Pouco depois, devido a desacordos políticos e por ter apoiado um senador apontado pelo rei como traidor, foi ele próprio acusado de traição a favor do Império Bizantino e de magia, sendo subsequentemente torturado, condenado à morte e executado. Enquanto aguardava sob prisão a execução, escreveu De Consolatione Philosophiae (Do Consolo pela Filosofia), obra que versa, entre outros temas, o conceito de eternidade e na qual tenta demonstrar que a procura da sabedoria e do amor de Deus é a verdadeira fonte da felicidade humana. Membro de uma família ligada ao então nascente cristianismo, é considerado pela Igreja Católica Romana, pelo seu contributo para a teologia cristã e pelos serviços que prestou aos cristãos, um mártir e um dos Padres da Igreja.


Wikipedia.


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Tratado sobre a Trindade.
Por Boécio.
Tradução: Prof. Luiz Jean Lauand
Fonte: www.ricardocosta.com
(ou: "Como a Trindade é um Deus e não três deuses")

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Evágrio Pôntico (346-399).

Acerca do Discernimento das Paixões e dos Pensamentos
Evágrio Pôntico (séc IV).

Entre os demônios que se opõe a prática das virtudes, os primeiros que adotam uma atitude de combate são aqueles que ostentam as paixões pelo comer, os que insinuam o amor ao dinheiro, e os que nos estimulam na busca da glória que provém dos homens. Todos os demais vêm depois destes e recebem os que são feridos por eles. Realmente, é pouco provável que se caia nas mãos dos espíritos da fornicação senão cair antes na gula. E não há quem, tendo sido pertubado pela ira, não tenha previamente caído nos prazeres de uma boa mesa, pelas riquezas e pela glória. E não há modo de fugir do demônio da tristeza, se não suporta a privação de todas essas coisas. Assim como nada pode fugir do orgulho, ninhada do diabo; se não há erradicado antes a raiz de todos os males, que é o amor pelo dinheiro, sim é verdade, como disse Salomão, que a indigência faz o homem humilde (Pr 10,4).

Resumindo: não sucede que o homem tropece com o Demônio, sem antes não ter sido ferido por esses três principais males. E também diante do Salvador, o Diabo o tentou primeiramente com estes três pessamentos: primeiramente exortando-o a converter as pedras em pães, depois prometendo-o que o mundo se prostaría a seus pés, adorando-o, e como terceira coisa, o tenta com a possibilidade de que a glória o cobriria se, caindo do ponto mais alto do templo, os anjos O pegariam e o salvariam, como Filho de Deus que é. Porém nosso Senhor, se mostra superior a tudo isto, ordena ao Diabo que se afaste dEle, ensinando assim que é impossível rejeitar o Diabo sem depreciar estes três pensamentos.

Todos os pensamentos demoníacos introduzem na alma concepções relativas a objetos sensíveis, e o intelecto, se compenetrando deles, imprime em si mesmo as formas desses objetos. A alma reconhece, então, o demônio que se associa ao próprio objeto. Por exemplo: se em minha mente se apresenta a fisionomia de quem me tem insultado ou ofendio, é evidente que surgirão em mim pensamentos de rancor. Se surgir a lembrança das riquezas e da glória, recordará claramente do objeto, o qual é o motivo da minha angústia. O mesmo acontece com os outros pensamentos: pelo objeto descubrirá quem é que vem a sugeri-los. Sem embargo, não quero dizer que todas as lembranças de tais objetos venham dos demônios. Porque é o intelecto mesmo, acionado pelo homem, que produzem as imagens dos acontecimentos. Provêm dos demônios aquelas lembranças que sucitam a ira ou a concupiscência anomais.

O homem não pode expulsar as lembranças apaixonadas se não presta atenção a concupiscência e a cólera, dissipando a primeira com jejuns, velando e durmindo no chão, e acalmando a segunda com atos de suportação, paciência, perdão e de misericórdia. Das paixões ditas anteriormente surgem quase todos os pensamentos demoníacos que empurram o intelecto a ruína e a perdição. Porém é impossível superar estas paixões se não se depreciam totalmente os banquetes, as riquezas e a glória e ainda o próprio corpo, com fundamento daqueles pensamentos que tão pouco o flagelam. É absolutamente necessário, pois, imitar aqueles que se encontram no mar, em perigo, que atiram para a borda as coisas, a causa da violência dos ventos e das ondas. Porém chegados a este ponto, devemos nos guardar de desprender das coisas para sermos vistos pelos homens, já teremos recebido nossa recompensa, e logo outro naufrágio mais terrível que o primeiro nos aflingirá, e então soprará o vento contrário, o do demônio da vanglória. Portanto, também Nosso Senhor dos Evangelhos, impulsionando em nosso intelecto que é o capitão do barco, nos disse: Cuidado que não faça vossas justiça diante dos homens, para ser vistos por eles: de outra maneira não terias recompensa de vosso Pai que está no Céu (Mt 6,1). E disse mais: E quando rezeis, não sejam hipócritas, porque eles gostam de orar nas sinagogas e nos cantos das ruas, de pé para serem vistos pelos homens: em verdade os digo, que já tiveram seu pagamento (Mt 6,5-16).

Porém neste ponto devemos prestar atenção ao médico das almas e observar como ele cura a cólera com a esmola, e como a oração purifica o intelecto, e ainda mais, o jejum disseca a concupscência: deste modo surge o novo Adão, o qual se renova a imagem dAquele que o criou, no qual não existe – com motivo da impassibilidade – nem homem nem mulher, e – baseados na única fé – nem grego nem judeu, nem circunciso nem incircunciso, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem liberto, senão que tudo está em Cristo.

* * *
Fonte: El Arca de Noe (http://www.elarcadenoe.org/)
Tradução: Roberto Gortiz

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Evágrio Pôntico (346-399).

Sobre o ascetismo e a quietude na vida eremítica
Evagrius Ponticus

Evágrio Pôntico (345-399) é um dos primeiros escritores espirituais sobre o ascetismo na tradição eremita cristã. Como teólogo ele seguiu de perto o Gnosticismo de Orígenes (185-254) sobre a pre-existência das almas e da reunificação final de todas as coisas em Deus, visões estas condenadas pelas autoridades da Igreja primitiva, ainda que um século e meio depois da morte de Evágrio. Ele observou de perto os Padres do Deserto e viveu seus últimos anos como um deles. Sua influência foi significativa em João Cassiano, pois foi através desse último que o Ocidente conheceu a espiritualidade do deserto.

O "Esboço dos Ensinamentos sobre Ascetismo e Quietude na Vida Solitária (Eremítica)" é um catálogo de práticas ascéticas para o eremita, que nesse contexto é o monge, mas a aplicação é, sem dúvida, universal para todos os solitários. O objetivo prático é o que a tradição Cristã do Oriente chama "quietude" ao estado de serenidade e o "vazio", que é o fruto da solidão. "Pois a prática da quietude é cheia de alegria e beleza." Por conseguinte a quietude é igualmente o fruto e a prática, o fim e os meios. E os meios são as práticas ascéticas que ele recomenda neste ensaio.


“Então você deseja abraçar esta vida de solidão
e buscar as bênçãos da quietude?
Então, abandone os cuidados do mundo,
os principados e poderes que lhes dizem
respeito; livre-se dos apegos às coisas ma-
teriais, da dominação das paixões e desejos
de modo que como um estranho a tudo isso
você possa atingir a verdadeira serenidade.
Pois somente se elevando sobre estas
coisas pode o homem atingir a vida
de quietude.”

Aqui estão as recomendações de Evágrio (em vermelho) com um resumo das suas explicações:

1. “Mantenha uma dieta simples e frugal”

Evite comidas exóticas, de difícil preparo e que provoquem a gula. Ser hospitaleiro não é desculpa para se preparar tais comidas. “Se você tiver apenas pão, sal e água, você ainda pode cumprir as regras da boa hospitalidade. Mesmo que você não tenha nem isto, mas se fizer o hóspede se sentir bem-vindo e dizer-lhe coisas que o ajudem, você não estará faltando com a hospitalidade.

2. “Com respeito às roupas, fique contente com o que for suficiente para as necessidades do corpo.”

Quando necessitar, aceite a oferta de outros, já que a vergonha pode ser um tipo de orgulho. Se alguém tem em excesso, deve doar àqueles que necessitem.

3. “Não mantenha um(a) empregado(a).” 

Empregar uma pessoa significa sustentá-la e se expor a uma personalidade rancorosa e hostil. A paz espiritual é muito mais importante do que ter um corpo descansado. “Mesmo que você possa pensar que ter um empregado pode ser benéfico para ele, não aceite isto.” Pode funcionar bem em uma comunidade mas não para um solitário.

4. “Não desenvolva o hábito de se associar com pessoas que só pensam em coisas materiais e mundanas.”

Viva só ou se associe apenas com aqueles que se lhe assemelham. Pessoas do mundo, (isto é, qualquer pessoa com valores mundanos ou apenas aprisionadas nos negócios do mundo), irão submeter outras à pressões sociais, conversações vãs, desejos materiais, raiva, depressão, escândalos. Isso se aplica a pais e parentes que estarão com eles nos negócios do mundo.

5. “Se você perceber que está ficando fortemente apegado à sua cela, deixe-a, não se agarre a ela, seja impiedoso.”

Tudo deve ajudar a promover a “quietude e liberdade” e a eliminar a distração na sua vida. Se isto não mais for possível na vizinhança onde se vive, a afeição por sua moradia (e o investimento físico ou emocional gasto nisso) não deve impedir alguém de se mudar, mesmo para o exílio se for necessário. Por exílio Evágrio quer dizer arrancar os laços familiares e indo para outro lugar, um tipo de exílio onde não se conhece nada nem ninguém; pode ser literalmente outro país, como os antigos eremitas que iam cada vez mais para dentro do deserto ou para as montanhas, quando percebiam que o lugar onde estavam já ficava muito povoado.

6. “Não deixe que o desejo inconstante vença sua resolução.”

Esta seção reitera a necessidade de se evitar as pressões dos amigos que insistem para que você afrouxe sua disciplina. Essas tentações não são sequer conselhos amigáveis, mas provocações, que levam a dúvidas, enfraquecimento da vontade, a opções alternativas de entretenimento e eventualmente a concordar em desistir da vida solitária. Como medida prática, “Se alguém que vive de acordo com (seus valores) vem até você e lhe convida para almoçar, vá se desejar, mas retorne prontamente à sua cela. Se possível, nunca durma fora de sua cela.”

7. “Não anseie por comidas finas e prazeres ilusórios.”

Aqui retoma ele a primeira seção sobre a simplicidade do alimento e na necessidade de se perceber o contexto social da refeição. Comer com outros envolve o perigo do oferecimento de comidas requintadas que provocam o desejo - que é um prazer enganador, aqui já referido. Tais convites devem ser recusados. Deve-se perceber como essa socialização enfraquece a quietude. “Não tenha relacionamentos com muitas pessoas, a menos que seu intelecto fique atormentado e assim perturbe a quietude.” Tais confraternizações geralmente começam ou terminam com refeições. Esta é uma percepção psicológica arguta de Evágrio, dentro da antropologia do comer e da dificuldade que muitos têm em resistir à comida, e por conseguinte, à companhia dos outros.

8. “Tenha sempre as mãos ocupadas, tanto quanto possa, durante o dia e à noite, de modo que você não seja um peso para ninguém....”

Essa seção evoca aquilo que hoje em dia poderia ser chamado trabalho e renda. Os eremitas do deserto geralmente se auto ocupavam em tecer cestos de junco porque nenhum outro trabalho se encaixaria nos critérios que Evágrio estabelece. Os eremitas poderiam encarregar outro discípulo ou representante para vender os cestos para algum mercador e comprar provisões com o lucro da venda. Entrar em um mercado para um eremita seria expor-se a todas as distrações aqui descritas em relação à quietude. Para aqueles eremitas que tinham eles mesmos que fazer isso, Evágrio os advertia para não pechincharem. “Quando se compra ou se vende, raramente se pode evitar o pecado. Em ambos os casos, assegurem-se de perder um pouco na transação.”

Outras práticas ascéticas que promovem a quietude são mencionadas por Evágrio com elaboração: técnicas meditativas incluindo visualização, jejum e oração. Nenhum dos conselhos parece novo ou original, porém, no contexto da época e de sua aplicação à vida solitária eles são significativos.

Evágrio conheceu os dois famosos Macários: o santo de Alexandria e o abade de Scete. Ele retirou de ambos o espírito da espiritualidade do deserto. Evágrio viveu como eremita no deserto do Egito os seus últimos quatorze anos.

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Referências Bibliográficas:

1. The Life of St. Paul, the First Hermit, por St. Jerome (Vita S. Pauli in Vitae Patrum I and Migne, P. L. 23, 18) em “The Desert Fathers”, traduzidos do Latim com Introdução por Helen Waddel, p. 26-39. London: Constable, 193; Ann Arbor: University of Michigan Press, 1957.

Traduzido por Jandira Soares Pimentel
Original em inglês de onde foi retirado esse texto:
http://www.hermitary.com/house/evagrius.html
© 2002, the hermitary and Meng-hu
contact: mail@hermitary.com


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Evágrio Pôntico (346-399).

Sobre os oito vícios capitais.
Evágrio Pôntico (séc IV).
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: VE Multimedios
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Evágrio do Ponto (ou Evágrio Pôntico, em grego Euagrios Pontikos; c. 346 no Ponto - 399/400 no Egipto) foi um escritor, asceta e monge cristão.
Evágrio dirigiu-se ao Egipto, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egipto. Seguidor das doutrinas de Orígenes, foi por diversas vezes condenado – de facto, Evágrio teve importante papel na difusão do Origenismo entre os monges do deserto egípcio, tendo-se tornado líder de uma corrente monástica origenista.
Apesar disso, Evágrio trouxe um aspecto positivo para a Igreja. Da sua vivência com os monges, traçou as principais doenças espirituais que os afligiam – os oito males do corpo; esta doutrina foi conhecida de João Cassiano, que a divulgou pelo Oriente; mais tarde, o Papa Gregório Magno também ouviu falar nela, e adaptou-a para o Ocidente como os sete pecados capitais – a saber a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça (à qual Evágrio chamara de acédia).

Wikipédia.


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Sobre os oito vícios capitais.
Evágrio Pôntico (séc IV).
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: VE Multimedios

Sobre os Oito Vícios Capitais
I. A Gula
II. A Luxúria
III. A Avareza
IV. A Ira
V. A Tristeza
VI. O Aborrecimento
VII. A Vanglória
VIII. A Soberba

I. A Gula

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Hipólito de Roma (~170-235).

Tradição apostólica.
Hipólito de Roma ( séc II).
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TRADIÇÃO APOSTÓLICA DE HIPÓLITO DE ROMA

Hipólito, nascido provavelmente na segunda metade do séc. II, teria sido, conforme o testemunho de alguns Padres da Igreja, bispo, porém não é possível precisar o lugar de sua sede. Sabe-se que ele mesmo afirmou ser discípulo de Irineu e foi o último escritor a se utilizar, em Roma, da língua grega.

Escritor erudito, transmite seus conhecimentos sem recorrer ou citar as fontes. Na época em que a Igreja tornou a penitência mais branda para os pecadores, Hipólito desentende-se com a autoridade máxima da Igreja, isto é, o papa e acaba sendo eleito antipapa por um pequeno grupo de cristãos moralistas. É exilado pelo imperador na Sardenha e aí morre em 235, juntamente com o papa Ponciano (que também fora exilado), com quem se conciliou algum tempo antes, voltando, assim, ao seio do Catolicismo.

Muitos obras são atribuídas a Hipólito, mas a "Tradição Apostólica" foi uma das poucas que restaram e, talvez, a mais importante, já trata-se da constituição eclesiática mais antiga que possuímos.

Entre os diversos destaques desta obra, assinalamos os seguintes: a existência de ministérios ordenados (bispos, presbíteros e diáconos) e não ordenados (viúvas, virgens, leitores, etc.); as profissões incompatíveis com o cristão; o catecumenato fixado em 3 anos; o batismo estendido também às crianças; a oração eucarística e os cuidados devidos ao pão e ao vinho, Corpo e Sangue do Senhor; e a eficácia da oração na vida do cristão (celebrada várias vezes ao dia), em especial o sinal da cruz.

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Tradição apostólica.
Hipólito de Roma ( séc II).


Parte I - Ministérios Ordenados e Não Ordenados
Parte II - Catecúmenos e Liturgias Diversas
Parte III - Outros Temas e Práticas
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TRADIÇÃO APOSTÓLICA DE HIPÓLITO DE ROMA
Parte I - Ministérios Ordenados e Não Ordenados.

INTRODUÇÃO

Já tratamos de forma conveniente sobre os carismas, esses dons que Deus pôs à disposição dos homens desde o princípio, conforme Sua vontade, atraindo para Si a imagem que Dele se afastara. Agora, movidos pelo amor que devemos a todos os santos, atingimos o ponto máximo da tradição: o que diz respeito às igrejas. Todos, assim, bem instruídos, devem conservar a tradição que perdura até hoje e, conhecendo-a através de nossas palavras, devem permanecer absolutamente firmes, já que o ocorrido recentemente (heresia ou erro) foi motivado pela ignorância e também pelos ignorantes. Que o Espírito Santo conceda a graça perfeita àqueles que crêem na verdade ortodoxa, para que aqueles que lideram a Igreja possam saber como ensinar e preservar tudo de forma conveniente.

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Hérmas de Roma (séc. I).

O pastor.
Hérmas de Roma (séc. I).
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Esta obra foi escrita em meados do segundo século por Hermas, entre 142 e 155 d.C.

Foi um dos escritos mais considerados da antiguidade cristã; por muito tempo, tida como inspirada, inclusive alguns a colocavam no Cânon do NT. As frequentes referências que se encontram dela em várias obras do período patrístico, demonstram a alta estima em que era tida. A obra era muito usada no cristianismo primitivo para instruir aqueles que acabavam de entrar na Igreja e queriam ser instruídos na piedade, como podemos comprovar no início do século IV no testemunho de Eusébio (HE, III,3:6).

Após larga difusão, especialmente, no Oriente, nas Igrejas gregas, inspirado para uns, apenas útil para todos e até mesmo recusado por outros, o Pastor foi, definitivamente, colocado entre os apócrifos após o Concílio Ecumênico de Hipona em 393, onde a Igreja definiu o catálogo bíblico.

Trata-se de uma obra longa, com 114 capítulos dispostos em 3 partes: 5 visões, 12 mandamentos e 10 Parábolas.

A preocupação central de Hermas não é doutrinário-dogmática, mas moral. Seu argumento principal é a necessidade de penitência indo ao encontro da misericórida divina. O leitor notará que o conceito de penitência, isto é, meios de santificação do homem, corresponde aos Sacramentos da Igreja. A Eclesiologia em Hermas, domina a idéia de que a Igreja é uma instituição necessária para a salvação. Quanto a Cristo, Hermas não emprega nenhuma vez, ao longo de sua obra, os termos Jesus Cristo, ou Logos. Chama-o de Salvador, Filho de Deus e Senhor. A Cristologia de Hermas suscitou dificuldades, pois segundo sua obra, há duas pessoas em Deus: Deus Pai e Deus-Espírito-Filho.





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O pastor.
Hérmas de Roma (séc. II).


* Capítulos I a XXV - Visões
* Capítulos XXVI a XLIX - Mandamentos
* Capítulos L a CXIV - Parábolas


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos Romanos.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. No ano 107 dC, durante a perseguição de Trajano, foi preso e enviado para Roma. Nas paradas que eram feitas para descanso, aproveitava para escrever às igrejas que o tinham recebido ou mandado alguma visita. Foi martirizado em Roma, segundo o testemunho de Eusébio.

Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Apresentamos a seguir a versão mais curta, por ser considerada a mais original (entretanto, a versão longa será também disponibilizada assim que possível).

Partes dignas de destaque: as honras prestadas à Igreja de Roma, sem igual nas demais cartas de Inácio, bem demonstrando a posição de primazia desta Igreja sobre as demais (v. saudação inicial); o desejo de conhecer a comunidade de Roma (v. 1), que "não guarda inveja de ninguém, mas, ao contrário, instrui as outras" (v. 3); e a entrega total a Deus, aceitando pacificamente a coroa do martírio (vv. 2-5).



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Epístola aos Romanos.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).



Epístola aos Magnésios (versão curta).
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.)
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Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. No ano 107 dC, durante a perseguição de Trajano, foi preso e enviado para Roma. Nas paradas que eram feitas para descanso, aproveitava para escrever às igrejas que o tinham recebido ou mandado alguma visita. Foi martirizado em Roma, segundo o testemunho de Eusébio. Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Entre os destaques, vemos que a Igreja visível já estava estruturada em três graus como ainda é hoje: bispos, presbíteros e diáconos. Cabe ao bispo a presidência e a ele todos devem estar submissos (caps. II a V). Também a questão da observância do sábado, defendida pela seita dos judaizantes, é abordada: "não observamos mais o sábado, mas o Dia do Senhor (=domingo)" (cap. IX), de onde se conclui, pela antiguidade da fonte, que a observância do domingo pelos cristãos é, de fato, instituição apostólica. Mas Inácio vai ainda mais longe contra os costumes judaicos: "É absurdo professar Cristo Jesus e judaizar. O Cristianismo não precisa abraçar o Judaísmo, mas o Judaísmo deve abraçar o Cristianismo" (cap. X), complementado, na versão longa, com uma expressão mais contundente: "o Judaísmo agora chegou ao fim".


Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Entre os destaques, vemos que a Igreja visível já estava estruturada em três graus como ainda é hoje: bispos, presbíteros e diáconos. Cabe ao bispo a presidência e a ele todos devem estar submissos (caps. II a V). Também a questão da observância do sábado, defendida pela seita dos judaizantes, é abordada: "não observamos mais o sábado, mas o Dia do Senhor (=domingo)" (cap. IX), de onde se conclui, pela antiguidade da fonte, que a observância do domingo pelos cristãos é, de fato, instituição apostólica. Mas Inácio vai ainda mais longe contra os costumes judaicos: "É absurdo professar Cristo Jesus e judaizar. O Cristianismo não precisa abraçar o Judaísmo, mas o Judaísmo deve abraçar o Cristianismo" (cap. X), complementado, na versão longa, com uma expressão mais contundente: "o Judaísmo agora chegou ao fim".



Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos Magnésios (versão longa)
Inácio de Antioquia (35-110)

Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Entre os destaques, vemos que a Igreja visível já estava estruturada em três graus como ainda é hoje: bispos, presbíteros e diáconos. Cabe ao bispo a presidência e a ele todos devem estar submissos (caps. II a V). Também a questão da observância do sábado, defendida pela seita dos judaizantes, é abordada: "não observamos mais o sábado, mas o Dia do Senhor (=domingo)" (cap. IX), de onde se conclui, pela antiguidade da fonte, que a observância do domingo pelos cristãos é, de fato, instituição apostólica. Mas Inácio vai ainda mais longe contra os costumes judaicos: "É absurdo professar Cristo Jesus e judaizar. O Cristianismo não precisa abraçar o Judaísmo, mas o Judaísmo deve abraçar o Cristianismo" (cap. X), complementado, na versão longa, com uma expressão mais contundente: "o Judaísmo agora chegou ao fim".

Epístola aos Magnésios (versão longa)
Inácio de Antioquia (35-110)

Introdução

Inácio, também chamado Teóforo, à [Igreja] abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo, nosso Senhor, em quem vocês poderão encontrar grande alegria.

Capítulo I

Tendo sido informado sobre o vosso amor devoto e perfeito, alegrei-me profundamente e resolvi comunicar-me convosco na fé em Jesus Cristo. 2Para aquele que pensa ser digno de portar um nome divino e desejável, nestas cadeias que ora carrego, louvo as igrejas, nas quais oro pela união entre o corpo e o espírito de Jesus Cristo, "que é o Salvador de todos os homens, mas especialmente daqueles que crêem, por cujo sangue vós todos fostes redimidos e por quem pudestes conhecer a Deus, isto é, fostes conhecidos por Ele; resistindo com Ele, escapareis de todos os assaltos deste mundo, pois 'Ele é fiel e não permitirá que sejais tentados acima do que puderdes resistir'".

Capítulo II

Portanto, já que tive a honra de vos ver na pessoa de Damas, vosso ilustre bispo, e de vossos ilustres presbíteros, Basso e Apolônio, bem como do diácono Zótio, meu companheiro de serviço, cuja amizade espero sempre possuir - já que ele, pela graça de Deus, é submisso ao bispo e ao presbitério, segundo a lei de Jesus Cristo - [passo agora a vos escrever]:

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos aos Filadélfos.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Sobre a obra

Por Carlos Martins Nabeto

Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. No ano 107 dC, durante a perseguição de Trajano, foi preso e enviado para Roma. Nas paradas que eram feitas para descanso, aproveitava para escrever às igrejas que o tinham recebido ou mandado alguma visita. Foi martirizado em Roma, segundo o testemunho de Eusébio. Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Chamamos especial atenção para o seguinte: quem segue cismáticos não encontrará salvação (v. 3); há apenas uma só Eucaristia verdadeira (v. 4); a Igreja mantém sua unidade ao redor de seu legítimo bispo (vv. 7 e 8); a existência conprovada de Igrejas particulares (dioceses), unidas e não completamente independentes entre si, formando a Igreja Universal (v. 10); observe-se também, no mesmo versículo, a estrutura da Igreja, que permanece a atual: bispos, presbíteros e diáconos.
Texto
Tradução: Carlos Martins Nabeto
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Epístola aos aos Filadélfos.
Inácio, Bispo de Antioquia (67 - 110 d.C.).

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos Tralianos.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Inácio (67 - 110 d.C.) foi Bispo de Antioquia, discípulo do apóstolo João, também conheceu São Paulo e foi sucessor de São Pedro na igreja em Antioquia fundada pelo próprio apóstolo.
Antioquia, à margem do Orontes, a capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império depois de Roma e Alexandria ocupa um importante lugar na história do Cristianismo. Foi aqui que Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão cristão (numa sinagoga), e foi aqui que os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos: “E foi em Antioquia que os discipulos, pela primeira vez, receberam o nome de cristãos” (Actos 11:26).
Santo Inácio escreveu sete cartas: Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos.
Foi preso por ordem do imperador Trajano e condenado a ser lançado às feras em Roma. Daí de sua bela e famosa expressão ter sido: "trigo de Cristo, moído nos dentes das feras". E na iminência do martírio prometeu aos cristãos que mesmo depois da morte continuaria a orar por eles junto de Deus:
“Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação” (Inácio - Tralianos 13:3).

Wikipédia.

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Sobre a obra
Por Alessandro Lima

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos Esmirnenses.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Esta é a famosa carta que denomina a verdadeira Igreja de Cristo como "Católica".



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Epístola aos Esmirnenses.
Inácio, Bispo de Antioquia (67 - 110 d.C.).

Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo amado, Igreja que encontrou misericórdia em todo dom da graça, repleta de fé e amor, sem que lhe falte dom algum, agradabilíssima a Deus e portadora de santidade, situada em Esmirna, na Ásia. Cordiais saudações em espírito irrepreensível e na pa­lavra de Deus.

1. Glorifico a Jesus Cristo, Deus, que vos fez tão sábios. Cheguei a saber efetivamente que estais aparelhados com fé inabalável, como que pregados de corpo e alma na Cruz do Senhor Jesus Cristo, confirmados na caridade no Sangue de Cristo, cheios de fé em Nosso Senhor, que é de fato da linhagem de Davi, segundo a carne, Filho de Deus porém consoante a vontade e o poder de Deus, de fato nascido de uma Virgem e batizado por João, a fim de que se cumpra n’Ele toda a justiça. Sob Pôncio Pilatos, e o tetrarca Herodes foi também de fato pregado (na Cruz), em carne, por nossa causa - fruto pelo qual temos a vida, pela Sua Paixão bendita em Deus - a fim de que Ele por Sua ressurreição levantasse Seu sinal para os séculos em beneficio de Seus santos fiéis, tanto judeus, como gentios, no único corpo de Sua Igreja.

2. Tudo isso padeceu por nossa causa, para obtermos salvação. Padeceu de fato, como também de fato ressuscitou a Si próprio, não padecendo só aparente­mente, como afirmam alguns infiéis. Eles é que só vivem aparentemente, e, conforme pensam, também lhes sucederá: não terão corpo e se assemelharão aos demônios.

3. Eu porém sei e dou fé que Ele, mesmo depois da ressurreição, permanece em Sua carne. Quando se apresentou também aos companheiros de Pedro, disse-lhes: Tocai em mim, apalpai-me e vede que não sou espírito sem corpo. De pronto n’Ele tocaram e creram, entrando em contato com Seu Corpo e com Seu espírito. Por isso, desprezaram também a morte e a ela se sobrepuseram. Após a ressurreição, comeu e bebeu com eles, como alguém que tem corpo, ainda que es­tivesse unido espiritualmente ao Pai.

4. Encareço tais verdades junto a vós, caríssimos, embora saiba que também vós assim pensais. Quero prevenir-vos contra os animais ferozes em forma humana. Não só não deveis recebê-los, mas, quanto possível, não vos encontreis com eles. Só haveis de rezar por eles, para que, quem sabe, se convertam, coisa por certo difícil. Sobre eles, no entanto, tem poder Jesus Cristo, nossa verdadeira vida. Pois, se nosso Senhor só realizou as obras na aparência, então também eu estou preso só aparentemente. Por que então me entreguei a mim mesmo, à morte, ao fogo, à espada, às feras? Mas estar perto da espada é estar perto de Deus; encontrar-se em meio às feras é encontrar-se junto a Deus, unicamente, porém, quando em nome de Jesus Cristo. Para padecer junto com Ele, tudo suporto, confortado por Ele, que se tornou perfeito homem.


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola aos Efésios.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. No ano 107 dC, durante a perseguição de Trajano, foi preso e enviado para Roma. Nas paradas que eram feitas para descanso, aproveitava para escrever às igrejas que o tinham recebido ou mandado alguma visita. Foi martirizado em Roma, segundo o testemunho de Eusébio.

Esta carta, assim como as outras seis reconhecidas, nos chegou em duas versões: uma curta (mais próxima ao original, segundo os pesquisadores) e outra um pouco mais longa. Apresentamos a seguir a versão mais curta, por ser considerada a mais original (entretanto, a versão longa será também disponibilizada assim que possível).

Partes que devem ser destacadas: o bispo é o representante visível de Jesus perante a Igreja (v. 6); Paulo, pela 1ª vez, é declarado santo (v. 12); a condenação eterna daqueles que tramam contra a família (v. 16), o que acaba incluindo implicitamente os defensores do aborto, do divórcio e do amor livre; a virgindade perpétua de Maria (v. 19), antes e após o parto; e a eucaristia como remédio para a salvação (v. 20).


Sobre a obra
Por Alessandro Lima


Esta carta foi escrita em Esmirna onde Policarpo era bispo, aproximadamente em 107 d.C.. Onésimo, então bispo de Éfeso, vai até Esmirna saudar Inácio. Inácio aproveita a oportunidade para enviar uma carta à comunidade de Éfeso.

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Inácio de Antioquia (35-110).

Epístola a Policarpo de Esmirna.
Inácio, Bispo de Antioquia (35 - 110 d.C.).
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Inácio (67 - 110 d.C.) foi Bispo de Antioquia, discípulo do apóstolo João, também conheceu São Paulo e foi sucessor de São Pedro na igreja em Antioquia fundada pelo próprio apóstolo.

Antioquia, à margem do Orontes, a capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império depois de Roma e Alexandria ocupa um importante lugar na história do Cristianismo. Foi aqui que Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão cristão (numa sinagoga), e foi aqui que os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos: “E foi em Antioquia que os discípulos, pela primeira vez, receberam o nome de cristãos” (Atos 11:26).

Santo Inácio escreveu sete cartas: Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos.

Foi preso por ordem do imperador Trajano e condenado a ser lançado às feras em Roma. Daí de sua bela e famosa expressão ter sido: "trigo de Cristo, moído nos dentes das feras". E na iminência do martírio prometeu aos cristãos que mesmo depois da morte continuaria a orar por eles junto de Deus:

“Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação” (Tralianos 13:3).



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Epístola a Policarpo de Esmirna.
Inácio, Bispo de Antioquia (67 - 110 d.C.).


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Policarpo de Esmirna (70-155).

Epístolas aos Filipenses.
Policarpo de Esmirna (70-155 ).
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Policarpo de Esmirna (70 -155) foi um bispo de Esmirna (atualmente na Turquia) no segundo século. Morreu como um mártir, vítima da perseguição romana, aos 87 anos. É reconhecido como santo tanto pela Igreja Católica Apostólica Romana quanto pelas Igrejas Ortodoxas Orientais.

O santo deste dia é um dos grandes Padres Apostólicos, ou seja, pertencia ao número daqueles que conviveram com os primeiros apóstolos e serviram de elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano.

São Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna pelo próprio São João, o Evangelista. De caráter reto, de alto saber, amor a Igreja e fiel à ortodoxia da fé, era respeitado por todos no Oriente.

Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.


Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Santo Agostinho (354-430).

O reino de cristo até o fim do mundo 
(Santo Agostinho de Hipona; 
Tratado sobre o Evangelho de São João 115,2-5 [CCL 36,644-646]).


“Meu reino não é deste mundo”: o Seu reino finca raízes aqui, mas apenas até o fim do mundo. Com efeito, a ceifa é o fim do mundo, quando virão os ceifadores, isto é, os anjos, e arrancarão do Seu reino todos os corruptos e ímpios, o que não seria possível se o Seu reino não estivesse aqui. E, ainda assim, [o Seu reino] não é daqui, pois encontra-se no mundo como peregrino. Por isso, diz em seu reino: “Não sois do mundo, pois Eu vos escolhi retirando-vos do mundo”.


Assim, eram do mundo enquanto não eram do Seu reino; logo, pertenciam ao príncipe do mundo. Portanto, é do mundo tudo o que no homem foi criado, sim, pelo Deus verdadeiro, mas que foi gerado da estirpe viciada e condenada de Adão; e já foi convertido no reino, não mais deste mundo, tudo o que a partir de então foi regenerado em Cristo. Desta forma, Deus nos tirou do domínio das trevas e nos trasladou ao reino do Seu Filho amado. Deste reino diz: “Meu reino não é deste mundo”; ou: “Meu reino não é daqui”.


Pilatos disse-lhe: “Então tu és rei?”; Jesus respondeu-lhe: “Tu o dizes: sou rei”. A seguir, acrescentou: “Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para ser testemunha da verdade”. Deduz-se claramente que se refere aqui ao seu nascimento no tempo, quando encarnado veio ao mundo; não [se refere] àquele outro sem princípio no qual era Deus e por meio do qual o Pai criou o mundo. “Para isto” diz ter nascido, ou seja, esta é a razão do seu nascimento; e “para isto” veio ao mundo – nascendo certamente de uma virgem: para ser “testemunha da verdade”. Entretanto, como a fé não está em todos, acrescentou e disse: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.


“Escuta a minha voz”, porém com os ouvidos interiores, isto é, “obedece a minha voz”, o que equivale dizer: “Crê em mim”. Sendo, pois, Cristo testemunha da verdade, realmente dá testemunho de Si mesmo. É efetivamente sua esta afirmação: “Eu sou a verdade”; e em outro lugar diz também: “Eu dou testemunho de Mim mesmo”. Ao acrescentar: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”, alude à graça com que chama os predestinados.


Pilatos disse-lhe: “E o que é a verdade?” E não esperou para ouvir a resposta; tendo dito isto, saiu outra vez para onde estavam os judeus e disse-lhes: “Não encontro nele culpa alguma”. Suponho que quando Pilatos perguntou: “O que é a verdade?”, lhe veio imediatamente à mente o costume dos judeus de que por ocasião da Páscoa um preso era colocado em liberdade; por isso, não deu tempo para que Jesus lhe respondesse o que é a verdade, para que não perdesse tempo, tendo lembrado do costume que poderia ser um álibi para colocá-Lo em liberdade por ocasião da Páscoa. Não há dúvida de que [Pilatos] desejava isso ardentemente. Porém, não conseguiu afastar o seu pensamento da idéia de que Jesus era o rei dos judeus, como se ali – como também escreveu no título da Cruz – a própria Verdade o tivesse encravado, essa mesma verdade que ele havia perguntado o que era.

Fonte 

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Santo Agostinho (354-430).


O sermão dos pastores.
Santo Agostinho.
Tradução: Seminário de Sintra (Portugal).
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Santo Agostinho (354-430) é considerado o último dos pensadores antigos, já que cronologicamente e tematicamente se situa no contexto do pensamento antigo, e o primeiro dos medievais, já que sua obra, de grande originalidade influencia fortemente os rumos que tomaria o pensamento medieval em seus primeiros séculos. Durante esse período, a Igreja foi a única instituição estável, e a principal, e quase exclusivamente responsável, pela educação e pela cultura. Foi nas bibliotecas dos mosteiros que se preservaram textos da Antigüidade Clássica greco-romana. É claro que de forma altamente seletiva, já que foram preservados essencialmente textos considerados compatíveis com o cristianismo, bem como textos de pensadores dos primeiros séculos da era cristã.



O sermão dos pastores.
Santo Agostinho.
Tradução: Seminário de Sintra (Portugal).
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Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Santo Agostinho (354-430).

A forma como escutais
Santo Agostinho

«Que cada um esteja sempre pronto para escutar, mas lento para falar» (Ti 1,19). Sim, irmãos, digo-vos francamente…, eu que muitas vezes vos falo a vosso pedido: a minha alegria é sem mancha quando me sento entre os ouvintes; a minha alegria é sem mancha quando escuto e não quando falo. É então que eu saboreio a palavra com toda a segurança; a minha satisfação não é ameaçada pela vanglória. Quando estamos sentados sobre a pedra sólida da verdade, como se recearia o percipício do orgulho? «Escutarei, diz o salmista, e encher-me-ás de alegria e de júbilo» (Sl 50,10). Nunca fico mais alegre do que quando escuto; é o nosso papel de ouvinte que nos mantém numa atitude de humildade.


Pelo contrário, quando tomamos a palavra… precisamos de uma certa retenção; mesmo se não cedo ao orgulho, tenho medo de o fazer. Mas, se escuto, ninguém pode roubar a minha alegria (Jo 16,22) porque ninguém é testemunha dela. É verdadeiramente a alegria do amigo do esposo de quem S. João diz que «fica de pé e escuta» (Jo 3,29). Fica de pé porque escuta. O primeiro homem, também, quando escutava Deus, ficava de pé; quando escutou a serpente, caíu. O amigo de esposo fica, pois, «transbordante de alegria à voz do Esposo»; o que faz a sua alegria não é a sua voz de pregador ou de profeta, mas a voz do próprio Esposo.


Fonte: Didascalion

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

Santo Agostinho (354-430).


O Senhor da Messe
Santo Agostinho

O Evangelho que acabamos de ler convida-nos a procurar saber que messe é essa acerca da qual o Senhor nos diz: “A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe.” Foi então que Ele enviou, para além dos doze discípulos a que chamou apóstolos (“enviados”), mais setenta e duas pessoas. E mandou-os a todos, como se percebe pelas suas palavras, trabalhar numa messe já pronta. Para que messe? Não era entre os pagãos, onde ninguém havia semeado, que eles iam fazer a colheita. É de supor, pois, que a colheita tivesse lugar entre os judeus; foi para aí recolher que veio o senhor da messe. Aos outros povos, envia quem semeie, e não quem recolha. A colheita faz-se, pois, entre os judeus; entre os outros, semeia-se. E foi nitidamente recolhendo entre os judeus que Ele escolheu os apóstolos; era o tempo da colheita, as espigas estavam maduras, porque os profetas tinham semeado entre eles. […]

O Senhor declarou aos seus discípulos: “Não dizeis que dentro de quatro meses chegará o tempo da ceifa? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede; os campos estão brancos para a ceifa” (Jo 4, 35). E disse-lhes também: “Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho” (38). Abraão, Isaac, Jacob, Moisés e os profetas trabalharam; sofreram para semear o grão de trigo. Na sua vinda, o Senhor encontrou as espigas maduras e enviou quem as colhesse com a foice do Evangelho.

Fonte

Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na "casa de Deus", que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. ***** (1 Tm 3,15)

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